Sudão: Conselho de Segurança ainda sem acordo para declaração conjunta







Infelizmente, ainda não temos um consenso, lamentou o atual presidente do Conselho, o embaixador queniano Martin Kimani, que, citado pela agência France-Presse, disse estar a falar na qualidade nacional.

Após um debate muito duro, a União Africana [UA] tomou uma posição forte sobre esta questão, referiu o embaixador.

Kimani disse que condenou veementemente a tomada do poder pelos militares sudaneses e a dissolução do governo de transição e que esperava que o Conselho de Segurança seguisse o exemplo.

Este é um passo muito importante (...) que esclarece a melhor posição de África sobre golpes e tomadas de poder por militares, que, infelizmente, estão a aumentar, acrescentou o diplomata.

Martin Kimani insistiu esperar que o Conselho de Segurança se mostre à altura do desafio e que a sua declaração estará de acordo com a da União Africana, sublinhando que tal é a vontade de muitos países no organismo.

Após abandonar, inicialmente e após pressão da Rússia, uma condenação do golpe nos termos mais fortes, um novo texto em que o Conselho de Segurança expressava uma profunda preocupação foi hoje bloqueado por Moscovo e Pequim, segundo a France-Presse.

A UA anunciou hoje a suspensão do Sudão de todas as atividades da organização até ao restabelecimento efetivo da Autoridade Transitória liderada pelos civis, dissolvida na segunda-feira após um golpe de Estado liderado pelos militares.

A organização pan-africana divulgou uma declaração em que condena firmemente a tomada do poder pelo Exército sudanês (...) e a dissolução do Governo de Transição, e rejeita totalmente a mudança inconstitucional de governo, descrita no texto como inaceitável e uma afronta aos valores partilhados e às normas democráticas da UA.

O general Abdel Fattah al-Burhan, chefe das Forças Armadas sudanesas, anunciou na segunda-feira na televisão estatal do país a dissolução do governo e do Conselho Soberano -- o mais alto órgão executivo do país --, a suspensão de vários pontos da carta constitucional aprovada em agosto de 2019 e que estabelece um roteiro para a realização de eleições, e a instauração do estado de emergência.

A tomada de poder pelos militares foi amplamente condenada pela comunidade internacional.

A União Africana suspendeu o Sudão dos seus corpos em junho de 2019, após a queda do ditador Omar al-Bashir, em abril desse ano, e voltou a reintegrá-lo três meses depois, quando Abdallah Hamdock anunciou a formação do novo governo de transição.

A tomada do poder pelos militares na segunda-feira seguiu-se a semanas de crescente tensão política no país, intensificadas como uma tentativa de golpe de Estado em 21 de setembro último.

Esforços de membros civis do Governo em reformar o setor da segurança no país geraram uma forte reação dos militares, inclusive de Al-Burhan.

Os militares deixaram de participar em reuniões conjuntas com membros civis, o que atrasou, por exemplo, a aprovação por parte do Conselho de Ministros de entregar o antigo ditador Omar al-Bashir e outros dois responsáveis do regime deposto em abril de 2019 ao Tribunal Penal Internacional (TPI).

Nas primeiras horas de 25 de outubro, os militares prenderam pelo menos cinco ministros, bem como outros funcionários e líderes políticos, incluindo o primeiro-ministro, Abdalla Hamdok, entretanto libertado.

Ao meio do dia de segunda-feira o tenente-general Abdel Fattah al-Burhan, presidente do Conselho Soberano - órgão governativo composto por civis e militares - anunciou que dissolvia o Governo e o próprio Conselho Soberano, e decretava o estado de emergência no país.

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