ONG alerta para aumento acentuado no número de presos políticos na Rússia







Atualmente, o país tem pelo menos 420 prisioneiros políticos, em comparação com 362 no ano passado, afirmou a ONG em conferência de imprensa.

Infelizmente, os números estão a aumentar todos os anos. Esta é uma triste e preocupante realidade, salientou Sergei Davidis, que lidera o programa de apoio da ONG aos prisioneiros políticos.

Em 2015, a organização contabilizava de 46 presos políticos.

A lista dos atuais presos políticos compilada pela Memorial inclui o principal opositor do Kremlin, Alexei Navalny, condenado no início de 2021 a mais de dois anos de prisão.

Desde o encarceramento de Navalny, a oposição e a imprensa independente têm sofrido uma repressão crescente no país.

Em junho, as organizações do opositor foram rotuladas como extremistas pelo governo, levando ao seu encerramento e à proibição dos seus membros de concorrer nas eleições parlamentares de setembro passado.

As autoridades russas classificaram também a maioria dos meios de comunicação social independentes e os seus jornalistas como agentes estrangeiros.

Segundo Davidis, a Memorial segue as diretrizes da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) e do Conselho da Europa na identificação de prisioneiros políticos, mas o número real poderia ser duas ou três vezes superior aos números das ONG.

É bastante comparável com os números da era soviética, vincou.

Segundo os dissidentes soviéticos, havia mais de 700 prisioneiros políticos na URSS em 1987.

O movimento das Testemunhas de Jeová, considerado extremista e proibido na Rússia em 2017, está particularmente na mira das autoridades russas, com 68 dos seus membros acrescentados este ano à lista pela Memorial.

Desde a proibição da Testemunhas de Jeová, que se consideram os únicos fiéis ao cristianismo original, vários seguidores do movimento fundado nos Estados Unidos têm sido condenados à prisão na Rússia.

São acusados de rezar da forma errada, disse Lev Ponomarev, um dos ativistas de direitos humanos mais respeitados na Rússia, durante a conferência de imprensa, acrescentando que as autoridades estão a fazer desses fiéis um alvo de repressão em massa.

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