Ex-primeiro-ministro Espanhol Felipe González critica Puigdemont







Num debate feito esta tarde sobre Política e jornalismo para assinalar o 211.º aniversário das Cortes de Cádis, o ex-presidente socialista respondeu assim a declarações de Carles Puigdemont após sair da prisão na Sardenha, Itália, que comentou a sua detenção (na quinta-feira) afirmando que Espanha não perde nunca a oportunidade de fazer figuras ridículas.

No debate Felipe González defendeu que se mantenha o diálogo com o governo independentista da Catalunha e com a sociedade catalã para resolver politicamente o conflito.

Aqui faz falta política, mas política dentro da Constituição que é o nosso primeiro cinto de segurança, disse o responsável, acrescentando que se não se quer judicializar o conflito catalão, como aconteceu, o que não se pode é quebrar as regras do jogo e querer fazer um referendo sobre a independência.

Felipe González criticou também a política atual, que considerou uma política de trincheiras, muito mais crispada.

E disse que a tensão está a causar danos à convivência democrática, à política e ao jornalismo.

O líder independentista catalão Carles Puigdemont foi hoje libertado e autorizado a deixar, temporariamente, a Itália, onde foi detido na noite de quinta-feira, à chegada, indicou o seu advogado.

Saudado por apoiantes, o ex-presidente do Governo regional catalão, acusado por Madrid de envolvimento numa tentativa de secessão em 2017, deixou hoje a prisão de Sassari, na Sardenha, onde estava detido.

Segundo o ex-presidente catalão, a decisão do Tribunal Geral da União Europeia sobre a sua liberdade de movimentos por território europeu, na sua condição de eurodeputado, era claríssima.

Explicou ainda que antes de aterrar no aeroporto da Sardenha na quinta-feira, tinha uma notícia de que havia carabinieri [um ramo das Forças Armadas] e pensou que isto podia acontecer, numa alusão à sua detenção.  

De visita à ilha de Palma, onde um vulcão entrou em erupção, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, considerou que o líder independentista, que fugiu em 2017 para a Bélgica para escapar às perseguições judiciais e onde ainda vive, deve submeter-se à justiça espanhola.

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